
APENAS MAIS UMA ESTÓRIA ROMÃNTICA
Em um desses "agitos" da madrugada, Jéssica já sentia que havia se excedido na bebida. Afinal, misturara um sem-fim de drinks, de cores variadas, de taças variadas, de várias bebidas. Na verdade, ela sabia apenas que bebera muito. O que bebera...? Só um médico legista poderia decifrar.
A alquimia multi colorida já iniciava as suas conseqüências. O estômago parecia uma lava-roupas manca. Dando voltas e pulinhos, não necessariamente nesta ordem. Inevitável foi à ida ao banheiro, onde grande parte do que constava de sua boleta-de-consumo, foi embora contribuir com a poluição de rios e mares pelo mundo afora.
Sua cabeça rodava, e ela se perguntava o porquê daquilo...
Na mesma hora, Arlindo terminava uma dissertação, que defenderia ao final do Doutorado, onde sustentava a tese de que havia dicotomia entre "Amores necessários X Amores contingentes". Filósofo iniciante engendrou-se na complexa relação entre Simone e Sartre, buscando, quiçá, entender-se.
Ele conhecera Jéssica, coincidentemente, ao tempo em que estas mesmas idéias lhe haviam arrebatado a mente. A confusa explicação de amor racional "saltou" das páginas amareladas da biblioteca, indo parar bem em meio àquele encontro nos corredores da Universidade. Ele vinha de um lado, carregado de livros e cópias. Ela vinha do outro, carregada de convites da Festa Universitária, que aconteceria dentro de poucos dias.
Claro que dois corpos caminhando em um mesmo sentido, sob direção contrária, sempre se encontram. A Física Clássica chama isso de interseção de vetores. E , eles se encontraram...
Jéssica, num movimento automático, deu a Arlindo um sorriso de dentes perfeitos, acompanhado do gesto clássico de uma "Casual Promoter", oferecendo um dos inúmeros convites "encalhados" da tal festinha. Arlindo, por sua vez, inapto a receber o papelzinho, já que tinha as mãos irrecorrivelmente ocupadas, pediu que lhe fosse colocado, o convite, no bolso de sua camisa, coerente e convenientemente costurada no lado esquerdo. E, como numa dessas cenas típicas do Cinema do Norte, agradeceram ao mesmo tempo, no mesmo instante em que cada par de olhos encontrou o outro. Um frêmito percorreu cada um deles.
Nos dias que se seguiram, eles não pensavam em outra coisa. E, por conta de não terem trocado nº de telefones, não puderam, sequer, saber se um e se o outro iria, mesmo, ao evento.
Torturaram-se por dias. E, ambos, apareceram pontualmente na entrada do Salão, caprichados em roupas, perfumes e brilho.
A festa...? Normal. Como, aliás, toda festa desse tipo. Jéssica, inclusive, ganhou o ursinho-de-pelúcia sorteado no fim.
Voltaram juntos. De mãos dadas. Uma radiola, de um dos botecos da rua, tocava "As time Goes by". A neblina baixa ajudava a cena. Beijaram-se. Dois pares de mãos percorríam cada corpo. A volúpia crescia, na mesma intensidade em que o desejo de um, e do outro, fazia com que suas consciências se anestesiassem. E, assim, no meio da rua, bailaram a dança do acasalamento do Louva-Deus. Transaram ali mesmo. E, incontroláveis, pouco se importaram com os olhares assustados dos que passavam por ali. Arlindo parecia possuído por uma fome inabalável, de tal forma, que não percebia as mordidas que Jéssica lhe desferia, arrancando nacos de suas bochechas e orelhas. Sangue, suor e saliva misturavam-se. E, ao se aproximarem do orgasmo, misturavam sons que ora pareciam de dor, ora de prazer.
Gozaram. No mesmo instante em que eram algemados pelos policiais, chamados pela platéia , que , embora fizesse caras e bocas de reprovação, exultava intimamente com cada instante observado.
Em um desses "agitos" da madrugada, Jéssica já sentia que havia se excedido na bebida. Afinal, misturara um sem-fim de drinks, de cores variadas, de taças variadas, de várias bebidas. Na verdade, ela sabia apenas que bebera muito. O que bebera...? Só um médico legista poderia decifrar.
A alquimia multi colorida já iniciava as suas conseqüências. O estômago parecia uma lava-roupas manca. Dando voltas e pulinhos, não necessariamente nesta ordem. Inevitável foi à ida ao banheiro, onde grande parte do que constava de sua boleta-de-consumo, foi embora contribuir com a poluição de rios e mares pelo mundo afora.
Sua cabeça rodava, e ela se perguntava o porquê daquilo...
Na mesma hora, Arlindo terminava uma dissertação, que defenderia ao final do Doutorado, onde sustentava a tese de que havia dicotomia entre "Amores necessários X Amores contingentes". Filósofo iniciante engendrou-se na complexa relação entre Simone e Sartre, buscando, quiçá, entender-se.
Ele conhecera Jéssica, coincidentemente, ao tempo em que estas mesmas idéias lhe haviam arrebatado a mente. A confusa explicação de amor racional "saltou" das páginas amareladas da biblioteca, indo parar bem em meio àquele encontro nos corredores da Universidade. Ele vinha de um lado, carregado de livros e cópias. Ela vinha do outro, carregada de convites da Festa Universitária, que aconteceria dentro de poucos dias.
Claro que dois corpos caminhando em um mesmo sentido, sob direção contrária, sempre se encontram. A Física Clássica chama isso de interseção de vetores. E , eles se encontraram...
Jéssica, num movimento automático, deu a Arlindo um sorriso de dentes perfeitos, acompanhado do gesto clássico de uma "Casual Promoter", oferecendo um dos inúmeros convites "encalhados" da tal festinha. Arlindo, por sua vez, inapto a receber o papelzinho, já que tinha as mãos irrecorrivelmente ocupadas, pediu que lhe fosse colocado, o convite, no bolso de sua camisa, coerente e convenientemente costurada no lado esquerdo. E, como numa dessas cenas típicas do Cinema do Norte, agradeceram ao mesmo tempo, no mesmo instante em que cada par de olhos encontrou o outro. Um frêmito percorreu cada um deles.
Nos dias que se seguiram, eles não pensavam em outra coisa. E, por conta de não terem trocado nº de telefones, não puderam, sequer, saber se um e se o outro iria, mesmo, ao evento.
Torturaram-se por dias. E, ambos, apareceram pontualmente na entrada do Salão, caprichados em roupas, perfumes e brilho.
A festa...? Normal. Como, aliás, toda festa desse tipo. Jéssica, inclusive, ganhou o ursinho-de-pelúcia sorteado no fim.
Voltaram juntos. De mãos dadas. Uma radiola, de um dos botecos da rua, tocava "As time Goes by". A neblina baixa ajudava a cena. Beijaram-se. Dois pares de mãos percorríam cada corpo. A volúpia crescia, na mesma intensidade em que o desejo de um, e do outro, fazia com que suas consciências se anestesiassem. E, assim, no meio da rua, bailaram a dança do acasalamento do Louva-Deus. Transaram ali mesmo. E, incontroláveis, pouco se importaram com os olhares assustados dos que passavam por ali. Arlindo parecia possuído por uma fome inabalável, de tal forma, que não percebia as mordidas que Jéssica lhe desferia, arrancando nacos de suas bochechas e orelhas. Sangue, suor e saliva misturavam-se. E, ao se aproximarem do orgasmo, misturavam sons que ora pareciam de dor, ora de prazer.
Gozaram. No mesmo instante em que eram algemados pelos policiais, chamados pela platéia , que , embora fizesse caras e bocas de reprovação, exultava intimamente com cada instante observado.
Arlindo foi direto para a Emergência do Hospital, muito ferido pelas mordidas desferidas. Jéssica aguardou-o no Distrito, detida.
A lesão corporal não foi lavrada. Arlindo não tinha interesse na queixa. "Assinaram" um Atentado Violento ao Pudor, coisa que, facilmente, seria resolvida com a doação de algumas Cestas-Básicas.
Voltaram juntos. E foram dormir. Separados. Cada um em sua casa.
Nunca mais se viram.
Jéssica casou-se com um próspero Empresário. Foi morar na área nobre da cidade, bem distante do Campus Universitário. Saía, eventualmente com as amigas; caçava emoções em surdina. Como ontem, mesmo. Aquele porre. Lembram...?
Arlindo casou-se também. Professor, preferira morar nas adjacências da Universidade, onde além das aulas, ficava perto de suas alunas, recém ingressas no curso de Filosofia. Escrevia suas impressões, logo após experimentá-las in loco.
E assim, ambos, viveram felizes para sempre. Amando necessariamente seus pares, mesmo nas contingências de seus desejos.
E assim terminou mais uma estória romântica; humana. Uma estória de bichos humanos; primos-irmãos de todos os outro bichos do Planeta. Uma estória comum. Sem final feliz. Sem finalidade alguma, além de me lembrar de Sartre e Simone. Ou de Simone e Sartre... Por que não...?
A lesão corporal não foi lavrada. Arlindo não tinha interesse na queixa. "Assinaram" um Atentado Violento ao Pudor, coisa que, facilmente, seria resolvida com a doação de algumas Cestas-Básicas.
Voltaram juntos. E foram dormir. Separados. Cada um em sua casa.
Nunca mais se viram.
Jéssica casou-se com um próspero Empresário. Foi morar na área nobre da cidade, bem distante do Campus Universitário. Saía, eventualmente com as amigas; caçava emoções em surdina. Como ontem, mesmo. Aquele porre. Lembram...?
Arlindo casou-se também. Professor, preferira morar nas adjacências da Universidade, onde além das aulas, ficava perto de suas alunas, recém ingressas no curso de Filosofia. Escrevia suas impressões, logo após experimentá-las in loco.
E assim, ambos, viveram felizes para sempre. Amando necessariamente seus pares, mesmo nas contingências de seus desejos.
E assim terminou mais uma estória romântica; humana. Uma estória de bichos humanos; primos-irmãos de todos os outro bichos do Planeta. Uma estória comum. Sem final feliz. Sem finalidade alguma, além de me lembrar de Sartre e Simone. Ou de Simone e Sartre... Por que não...?
Foto in Simone e Sartre passeando em Copacabana, no Rio de Janeiro, em setembro de 1960
Um comentário:
Sempre jéssica!
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